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Papel de pai, papel da escola

Hoje, 15 de março, comemora-se o Dia da Escola, curiosamente na mesma semana em que o Brasil lamenta a morte de estudantes em uma das maiores tragédias em ambiente escolar como a ocorrida em Suzano, nos últimos dias. Este fato, com todos os seus elementos e complexidade, envolve uma ampla reflexão por parte de toda a sociedade. Mas, além da discussão, que é muito útil, é preciso urgentemente uma revisão de nossos papéis, como pais, educadores e também dos governantes.

Ainda há muito a se apurar e as investigações estão apenas começando, mas o triste evento de Suzano já nos sinaliza que algo de muito sério está acontecendo em nossas casas e tem a ver com a educação e o cuidado que temos dispensado a nossos filhos. E não estamos falando, aqui, de bens materiais, mas do olhar de quem educa e prepara crianças e jovens para o mundo atual.

Dados apontados por pesquisadores referentes aos últimos 15 anos mencionam uma estatística cruel sobre o aumento da doença mental na infância, que agora está atingindo proporções epidêmicas:

  • 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
  • um aumento de 43% no TDAH foi observado;
  • um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
  • um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

Diante disso, resta uma triste constatação: estamos “errando a mão”, invertendo valores, subestimando sentimentos, míopes ou cegos por não enxergar o que nossos filhos realmente precisam. Quando tentamos compensá-los com bens de consumo materiais não percebemos a grande lacuna que deixamos, seja por nossa falta de tempo ou até mesmo o “carinho” de preparar aquele prato especial que a criança gosta ou ainda se sentar junto e brincar, ainda que por pouco tempo. Mas que seja um tempo precioso e verdadeiro.

Pais, não vamos nos confundir: o que crianças e jovens precisam é de ATENÇÃO! E não de um jeito que os isente de responsabilidade ou autonomia. Mas da atenção que os faça sentir a presença física e emocional da família em suas vidas. Que os faça sentir confiantes e seguros. Que os faça sentir que podem compartilhar seus sonhos, medos e dúvidas com os pais.

E na escola, que encontrem o conhecimento que ensina e valoriza, que os prepare e alicerce para as escolhas futuras. Para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal e intelectual.

Pais e escola, seus papeis são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: formar cidadãos saudáveis e bem preparados para um mundo em que são expostos, diariamente, a uma enxurrada de informações. Todos os dias, a todo momento, diversos tipos de conteúdo são  compartilhados sem filtro ou critério, até mesmo por aqueles que, embalados pelas distrações do mundo digital, deveriam servir de exemplo.

ATENÇÃO! Não seja fugaz ou breve como as informações disseminadas nas redes sociais. Seu filho, nossos filhos, pedem atenção. Somente assim seremos os influenciadores que eles precisam. Promovendo boas atitudes e estimulando o contato e o carinho, que todos tanto necessitam para se tornar cidadãos plenos e de bem com a vida.

 

Cuidados que devemos ter

Todos os esforços para que possamos cuidar de nossos filhos são importantes para que eles estejam saudáveis e aptos a seguir um caminho tranquilo em sua evolução.

No Barão de Mauá acompanhamos atentamente nossos alunos para que eles sigam algumas regras que visam única e exclusivamente preservá-los e garantir a sua segurança, como descrevemos abaixo:

 

Uso do uniforme – a partir do lamentável caso de Suzano, a imprensa tem abordado a questão do uso do uniforme, como forma de distinguir os alunos em uma escola. E este é um aspecto que tem sido amplamente abordado no Barão, repetidas vezes, como forma de alertar os alunos e pais sobre a importância de usar o uniforme completo no período de aulas ou em outras atividades em ambiente escolar.

 

Evitar ficar no portão de saída após o término das aulas – sempre orientamos nossos alunos e pedimos aos pais também que peçam a seus filhos que não fiquem parados no portão de saída da escola conversando com os colegas.

 

Autorização de saída desacompanhada – Neste caso vale ressaltar que é muito importante que os pais somente autorizem a saída desacompanhada de alunos a quem realmente precisa e pode ser liberado.

 

Uso de celulares e acesso a redes sociais – em nossa escola promovemos diversas atividades utilizando recursos tecnológicos em tablets, computadores e celulares, até porque os alunos vivem a era digital e o modo de ensinar e aprender passou por  mudanças importantes. Nós os ensinamos a usar adequadamente esses recursos, mas cabe à família acompanhar esse movimento de seus filhos em casa, orientando e observando o trânsito de seus filhos na internet.

 

Parceria família-aluno-escola – como já mencionamos, o melhor meio para acompanhar de perto o desenvolvimento das crianças e adolescentes é a união e aproximação da família e escola, numa relação de confiança que transpareça aos alunos. Somente assim será possível fortalecer o seu respeito pelas instituições que representam a base de sua formação. 

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